A primeira fotografia

Por Jaqueline Santos

Cocoricó, cocoricó… quando se escuta esse típico som de galo, certamente a primeira coisa que pensamos é em uma fazenda ou sítio que todas as manhãs despertam com o som do animal. Eu não moro em fazenda, nem sítio, muito menos no interior, sou “paulista da gema”, mas também tive o privilégio dessas manhãs rotineiras de interior com direito a despertador ambulante e extremamente ecológico!

Ainda não deu pra entender?

Eu, Jaqueline, 20 anos moro na grande metrópole desde que nasci.

Ele, Galizé, extremamente dócil e acreditem, achava ele mais esperto que muitos cachorros por aí…

Nossa história começou quando eu tinha uns dois anos de idade, uma criança, é claro, mas eu sabia que já tinha um grande companheiro! Por muitas e muitas manhãs seus intermináveis cocoricó’s me despertavam de um sono tão pesado… Confesso que tenho bastante saudade dessa época.

Eu e Galizé fazíamos tudo juntos, dizem por aí que toda criança tem um amigo imaginário… no meu caso, meu confidente era ele. Foram anos de amizade que conquistamos, tantas histórias tenho pra contar, engraçadas, dramáticas… é pena que tudo na vida tem começo, meio e fim…

Lembro que uma vez minha mãe me colocou de castigo, eu já tinha uns 5 ou 6 anos de idade, pode até parecer irônico, mas o que aconteceu de fato é que meu galo ficou no aconchego do meu colo enquanto eu calejava meus joelhos sobre o milho num canto qualquer da cozinha. A cena foi tão engraçada que minha mãe logo me aboliu do castigo porque não conseguiu manter a autoridade na hora e caiu na gargalhada.

O que jamais vai sair da minha memória foi a primeira vez que fotografei ao lado do meu galo, aliás, da minha memória e do meu mural! Hoje, após 16 anos da foto ela ainda está lá intacta, presa no mural de alumínio azul com um imã. Eu tinha uns 4 anos, estava eufórica… fotografia era uma coisa bem mais rara do que hoje em dia. Não era todo dia que a gente tinha a oportunidade de registrar os momentos; Minha mãe pediu que eu subisse em cima do sofá para que a foto ficasse num ângulo melhor, mais nítido… depois foi a vez de Galizé, que tratou de se posicionar bem ao meu lado e fez o maior charme para sair na foto! Ah… aquele galo era mesmo um engraçadinho…

“Click!” – Pronto Jaque!

Eu estava realmente orgulhosa! Tudo bem que todos debochavam de mim, aliás, isso acontece até hoje quando eu falo sobre meu galo; mas o que importava mesmo, é que aquele momento foi eternizado, hoje eu olho pra foto e lembro dele com ternura, como quem olha para a foto de um amigo querido que a vida de alguma forma levou.

Eu ainda tenho muitos depoimentos para dividir com vocês, mas resumo que ter um galo de estimação pode até parecer ilário, esquisito, nojento.. Sim, eu sei já escutei muitos comentários do tipo. O fato é que o Galizé se adaptou de tal forma à minha família que até hoje sinto a falta dele. Já tentei criar outros animais mais “convencionais”, mas nenhum conquistou o espaço que ele tem até hoje. E afirmo, sem exageros e metáforas, que assim como todas as pessoas que passam pela nossa vida e nos ensinam algo, meu galo foi importante ao mesmo nível! Parte do que sou devo a ele…

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Quem foi Galizé??

Em breve, a estréia de Galizé! Vocês não perdem por esperar!!